Brasil
A necessária contenção dos mercados preditivos no Brasil
Filipe Senna, sócio da Jantalia Advogados e secretário-geral da Comissão de Direito dos Jogos e Apostas da OAB/DF, analisa a recente decisão no Brasil de bloquear plataformas de mercado preditivo como Kalshi e Polymarket.
Ele argumenta que a medida reflete um passo regulatório necessário para sanar ambiguidades legais em um segmento que se situa entre ferramentas informativas, sistemas de apostas e derivativos financeiros, reforçando a necessidade de coerência e tratamento igualitário nos mercados regulamentados em constante evolução do Brasil.
Por Filipe Senna
O bloqueio de plataformas de mercado preditivo como Kalshi e Polymarket no Brasil, a partir de medida do Conselho Monetário Nacional (CMN) e de orientação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), é juridicamente consistente e segue a mesma lógica já aplicada a operadores de apostas ilegais.
A decisão não nasce de um impulso restritivo, mas da necessidade de preservar a coerência de um mercado que passou a ser regulado de forma mais clara nos últimos anos.
Embora essas plataformas se apresentem como instrumentos de leitura da opinião pública, sua atuação prática vai além do caráter informacional.
Parte relevante dos produtos ofertados se aproxima, e em alguns casos se equipara, às apostas de quota fixa reguladas pela Lei nº 14.790/2023. Eventos esportivos disponibilizados nesses ambientes replicam dinâmicas semelhantes às chamadas bolsas de apostas, o que torna difícil sustentar uma distinção material entre um modelo e outro.
Há ainda um segundo ponto sensível. Algumas dessas plataformas oferecem instrumentos que se assemelham a derivativos financeiros, com ativos vinculados a preços de mercado.
Por operarem fora do país, não se submetem às exigências da Comissão de Valores Mobiliários. O resultado é uma assimetria regulatória relevante, na qual empresas estrangeiras competem em condições mais favoráveis do que operadores que seguem as regras brasileiras.
Nesse cenário, o bloqueio cumpre uma função de proteção institucional, ele resguarda tanto o mercado de apostas quanto o mercado financeiro de distorções concorrenciais.
Empresas que atuam no Brasil com autorização precisam cumprir obrigações rigorosas, que incluem recolhimento de tributos, políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e mecanismos de proteção de dados.
Permitir que outras operem à margem dessas exigências compromete a isonomia do sistema.
A medida também tem caráter indutor. Caso essas plataformas desejem atuar no país, deverão se adequar ao enquadramento jurídico correspondente ao tipo de produto que oferecem.
Se a atividade se assemelha a apostas, deve seguir a regulação das bets. Se se aproxima de instrumentos financeiros, deve observar as regras aplicáveis a esse mercado. Trata-se de um princípio básico de organização econômica em setores regulados.
Não há violação à livre iniciativa. No ordenamento brasileiro, a liberdade econômica convive com a necessidade de cumprimento de regras, especialmente em atividades que envolvem risco financeiro e impacto social.
A atuação estatal, nesse contexto, busca garantir que a concorrência ocorra em bases legítimas, sem favorecimento indevido a quem opera fora da jurisdição nacional.
Existe, de fato, um componente informacional nesses ambientes. Mercados preditivos podem oferecer sinais úteis sobre expectativas coletivas.
O problema surge quando esse elemento convive com estruturas que reproduzem a lógica de apostas ou de produtos financeiros de alto risco.
Nesses casos, o usuário deixa de interagir apenas com informação e passa a assumir riscos típicos de jogos de azar ou de operações especulativas.
Um exemplo ajuda a ilustrar essa fronteira. Há mercados em que o participante precisa prever, em intervalos de 5 (cinco) minutos, a variação de ativos como o Bitcoin.
A dinâmica, embora apresentada como preditiva, se aproxima mais de jogos de azar ou de mecanismos semelhantes às antigas opções binárias, cuja natureza sempre esteve associada ao risco elevado e à ausência de proteção adequada ao usuário.
Diante dessa zona cinzenta, a postura adotada pelo regulador é prudente. Interromper a atividade permite aprofundar o debate, definir critérios mais claros e evitar que lacunas normativas sejam exploradas.
Só a partir dessa delimitação será possível discutir, com segurança jurídica, eventual regulamentação futura para esse tipo de plataforma.
O objetivo final é preservar um ambiente econômico equilibrado, em que inovação e livre iniciativa possam coexistir com regras claras. Sem isso, o risco não é apenas jurídico, mas também de credibilidade de todo o sistema.
Filipe Senna
Sócio do Jantalia Advogados e Secretário-Geral da Comissão de Direito dos Jogos e Apostas da OAB/DF. Autor do livro ‘A Regulação da Sorte na Internet’
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apuestas
Apuestas en Brasil bajo restricciones de crédito y debates regulatorios
El mercado de iGaming y apuestas electrónicas en Brasil enfrenta una fase de fuerte intervención institucional.
A medida que el gobierno federal implementa políticas macroeconómicas para mitigar el endeudamiento familiar mediante el bloqueo de herramientas de financiamiento alternativo, el sector lidia con debates sobre la publicidad, un incremento en los mecanismos de salud mental y el crecimiento de la recaudación fiscal.
Tensiones políticas y el debate sobre la publicidad de cara a las campañas
El ecosistema de las apuestas online se ha consolidado como un tema central en la agenda política del Poder Ejecutivo.
El presidente Luiz Inácio Lula da Silva ratificó su intención de endurecer los controles sobre las acciones de marketing de las plataformas digitales.
Durante una entrevista en el programa Sem Censura de la EBC en Brasil, el mandatario fue directo al confirmar sus planes de regulación publicitaria e incluso manifestó una postura personal drástica: “Si de mí dependiera, las prohibiría todas”.
No obstante, el propio jefe de Estado reconoció las fronteras institucionales que limitan su margen de acción frente a la actividad económica regulada, recordando que la gobernabilidad del país depende de un engranaje tripartito.
“No soy el dueño de Brasil. Formo parte de un sistema de instituciones que gobiernan el país junto al Congreso Nacional y el Poder Judicial”, puntualizó.
Las barreras legislativas y la agenda electoral
Para ilustrar la complejidad política de la fiscalización del juego, Lula expuso la distribución de fuerzas en el Parlamento brasileño, señalando que su base cuenta apenas con 70 diputados de 513 y 9 senadores de 81.
Esta correlación implica que cualquier veto unilateral del Ejecutivo podría ser derribado fácilmente por el Poder Legislativo, donde el sector de las apuestas mantiene una influencia considerable.
A pesar de estas limitaciones, el gobierno destacó los avances de la secretaría especial del Ministerio de Hacienda, que ha logrado desactivar más del 90% de los dominios ilegales en el territorio, y confirmó que la moratoria para otorgar nuevas licencias operativas se extenderá hasta finales de año.
El Ejecutivo adelantó que el marco regulatorio formará parte activa de los debates en las próximas campañas electorales.
El foco se mantendrá en vincular las apuestas a la salud pública, considerando que 1.3 millones de jóvenes, en su mayoría de bajos ingresos, interactúan con estas plataformas.
Esto impacta en la economía familiar y justifica medidas de contención como el congelamiento de cuentas por 12 meses para quienes busquen sanear sus deudas.
El nuevo Desenrola y la ofensiva contra el endeudamiento
Como parte de su estrategia macroeconómica para frenar el apalancamiento financiero de la población, el gobierno de Brasil lanzó el programa Nuevo Desenrola.
La iniciativa busca cerrar los canales de financiamiento indirecto en el juego mediante su artículo 16, el cual prohíbe de forma taxativa cualquier operación crediticia que sirva de puente para transferir recursos económicos hacia plataformas de apuestas.
El objetivo principal de la norma es clausurar el uso del “Pix crédito” como herramienta de depósito.
Una auditoría técnica realizada por el diario Folha de S.Paulo reveló que, a pesar de la vigencia de la norma, entidades de gran envergadura como Bradesco y Banco do Brasil mantuvieron habilitada la opción de transferencias a crédito para apuestas hasta mediados de mayo. Es
ta preocupación gubernamental se respalda en indicadores de la CNC, que sitúan el índice de endeudamiento familiar de Brasil en un crítico 80.4%, la cifra más alta registrada desde el inicio de la medición en 2010.
Pix crédito y la postura bancaria
Desde la perspectiva legal del mercado financiero, el Pix crédito califica técnicamente como un método de pago pospagado, ya que el usuario liquida la obligación después de la transacción y no con fondos disponibles.
Al no contar con una regulación específica del Banco Central (BC), esta herramienta opera bajo dos modalidades comerciales que los bancos manejan de forma interna:
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Financiamiento vía tarjeta: La entidad financiera procesa el cargo en el cupo de la tarjeta de crédito del cliente, descuenta las tasas operativas y envía el dinero en efectivo vía Pix al destinatario. Si el usuario no cubre el saldo de su tarjeta, ingresa al esquema de intereses rotativos.
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Préstamo directo: El banco aprueba un crédito personal con tasas de interés al consumidor, derivando el capital de forma inmediata al comercio de destino.
Ante este panorama, la mayoría de los bancos comerciales optaron por bloquear estos movimientos cuando los sistemas detectan que el CNPJ receptor coincide con la lista de 85 operadores autorizados por el Ministerio de Hacienda, implementando códigos QR corporativos exclusivos para transacciones de contado y emitiendo alertas a través de plataformas como Nubank y PicPay.
El vacío en la fiscalización y la reacción de los operadores
A pesar de que el marco regulatorio prevé multas de hasta R$ 2.000 millones y la suspensión de licencias para las casas de apuestas que admitan pagos pospagados, los operadores nucleados en el IBJR y la ANJL aclararon que no poseen herramientas técnicas para filtrar el Pix crédito.
Al procesarse la financiación dentro del entorno bancario, el dinero llega a las cuentas de las apuestas como una transferencia común de contado, lo que traslada la responsabilidad de la contención directamente a las entidades bancarias.
Por su parte, las autoridades monetarias aún no definen el esquema definitivo de inspección. La Secretaría de Premios y Apuestas (SPA) del Ministerio de Hacienda tiene la potestad de sancionar a las plataformas, pero carece de jurisdicción sobre los bancos.
Especialistas legales señalan un vacío regulatorio que requiere de una nueva ordenanza que faculte a la SPA para auditar no solo a los operadores de juego, sino también a sus proveedores financieros intermedios.
Conflictos legales y defensa de la industria regulada
La fricción regulatoria también se trasladó al plano judicial y federal. La Asociación Nacional de Juegos y Loterías (ANJL) presentó ante el Supremo Tribunal Federal (STF) la Acción Directa de Inconstitucionalidad (ADI 7971) en contra de la Ley 16.508/2026 del estado de Río Grande del Sur. Dicha norma regional impone restricciones severas a las campañas publicitarias de las plataformas de iGaming.
La entidad que agrupa al sector regulado sostiene que el gobierno estatal viola el artículo 22 de la Constitución de la República, el cual reserva de manera exclusiva a la Unión Federal la competencia para legislar sobre telecomunicaciones y publicidad comercial.
El caso quedó bajo el análisis de la ministra Cármen Lúcia, y la industria busca una medida cautelar urgente para evitar que la fragmentación legal de los estados termine fortaleciendo los canales del juego ilegal offshore.
En sintonía con la defensa del sector, André Gelfi, director del Instituto Brasileño de Juego Responsable (IBJR), advirtió sobre los peligros de transformar a la industria regulada en un “chivo expiatorio” de los problemas de default de las familias. Gelfi argumentó que los debates políticos suelen generalizar la actividad sin diferenciar los entornos autorizados de las redes clandestinas.
El directivo abogó por la implementación de una “Regulación Inteligente” sustentada en el monitoreo del comportamiento del usuario, educación financiera y bloqueos técnicos dirigidos exclusivamente al mercado ilegal.
Recaudación fiscal y autoexclusiones
La consolidación del mercado legalizado en el país muestra un impacto directo en las arcas del Estado. De acuerdo con el balance oficial de la Receita Federal gestionado a través de la Ley de Acceso a la Información, el gobierno federal recaudó R$ 4.170 millones en el sector de juegos y loterías durante el primer trimestre de 2026.
Dentro de este universo fiscal, las plataformas online de cuota fija aportaron R$ 1.150 millones, consolidando a las apuestas deportivas como una de las fuentes de ingresos más estables para el Tesoro Nacional.
Paralelamente al crecimiento económico, los mecanismos de juego responsable registran una actividad sin precedentes. En sus primeros cinco meses de operaciones, la plataforma centralizada del Ministerio de Hacienda procesó 519.000 solicitudes de autoexclusión de usuarios de entornos digitales.
El reporte detalla que el sistema absorbe un promedio de 144 solicitudes por hora, y el 40% de los casos se fundamenta en la pérdida de control conductual sobre el juego, lo que demuestra la adopción activa de estas herramientas por parte de los consumidores para la prevención de la ludopatía.
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BC
Apuestas en Brasil bajo fricciones legislativas y cambios regulatorios
El ecosistema brasileño de iGaming, juegos online y apuestas deportivas de cuota fija atraviesa una fase crítica en la que los datos fiscales y los estudios de impacto social están redefiniendo activamente el discurso político federal.
Mientras el Congreso Nacional intensifica la fiscalización sobre las notables discrepancias entre las estimaciones de gasto del Banco Central y la recaudación tributaria federal real, las autoridades regulatorias se preparan para el regreso de los principales foros institucionales de la industria a la capital del país.
Al mismo tiempo, delicadas batallas constitucionales sobre restricciones regionales unilaterales a la publicidad avanzan directamente hacia el Supremo Tribunal Federal, poniendo a prueba los límites entre la soberanía estatal y federal.
En paralelo, el Poder Ejecutivo está implementando exhaustivos planes interinstitucionales para proteger la integridad estructural del deporte profesional frente a la amenaza persistente de redes transnacionales de manipulación de resultados.
El Congreso cuestiona datos de R$ 9 mil millones en recaudación tributaria
La Comisión de Finanzas y Tributación de la Cámara de Diputados convocó oficialmente una audiencia pública extraordinaria en el Plenario 4 para evaluar la debatida relación entre la recaudación federal proveniente de las casas de apuestas deportivas online y sus impactos socioeconómicos más amplios sobre la sociedad brasileña.
La reunión parlamentaria de alto nivel fue programada tras solicitudes conjuntas presentadas por el diputado Paulo Guedes y la diputada Marussa Boldrim (Republicanos-GO).
Ambos parlamentarios buscaron esclarecer las crecientes preocupaciones sobre fallas estructurales en el cálculo, la recaudación y la distribución pública final de los recursos tributarios derivados del sector del juego digital.
La audiencia se convirtió en un importante escenario de confrontación entre distintos datos, reuniendo a representantes clave de la Receita Federal, de la Confederación Nacional del Comercio (CNC) y del sector privado de operadores representado por la Asociación Brasileña de Juegos y Loterías (Abrajogo).
Los participantes presentaron narrativas profundamente contrastantes sobre la tributación total de la industria, la verdadera naturaleza del endeudamiento familiar y la facturación real de las plataformas licenciadas, evidenciando una profunda brecha de comunicación entre los monitores macroeconómicos y la realidad de la industria.
Receita Federal presenta desempeño de 2025
Gustavo Andrade Manrique, subsecretario de Recaudación, Registro y Atención al Cliente de la Receita Federal, participó como representante oficial del Ministerio de Hacienda.
Manrique ofreció un amplio contexto institucional sobre la trayectoria histórica y regulatoria de las apuestas de cuota fija en Brasil.
Recordó a la comisión que, aunque la modalidad fue creada técnicamente por la Ley 13.756 en 2018 bajo otra administración, permaneció durante años en un limbo regulatorio.
Solo fue plenamente operacionalizada mediante las actualizaciones legislativas integrales aprobadas entre 2023 y 2024, tras la promulgación de la Medida Provisoria 1.182 y su posterior conversión en ley.
Esto permitió a la Secretaría de Premios y Apuestas (SPA-MF) emitir autorizaciones formales para entidades corporativas en conformidad.
“Durante el año calendario 2025, el primer año fiscal completo de operaciones federales estructuradas, registramos una recaudación definitiva de R$ 9 mil millones proveniente directamente de empresas autorizadas por la Secretaría de Premios y Apuestas”, informó oficialmente Manrique al panel de diputados.
“Además, observando el actual ejercicio fiscal 2026, el monto total recaudado por el Tesoro federal hasta finales de abril asciende a R$ 3,1 mil millones.”
El subsecretario enfatizó que, según las directrices legales vigentes, estos fondos están destinados estrictamente a sectores públicos esenciales, incluidos salud pública, infraestructura turística y seguridad pública federal.
En cuanto a métricas de fiscalización, Manrique reveló que la Receita Federal ejecutó una operación de auditoría altamente focalizada y basada en datos durante el segundo semestre de 2025.
Al cruzar registros bancarios con informes de ingresos declarados, la autoridad tributaria identificó con éxito a 22 operadores autorizados que no habían pagado correctamente sus impuestos.
Esta evasión localizada generó una deuda tributaria acumulada de R$ 111 millones.
Manrique confirmó que, tras la emisión formal de notificaciones administrativas, los 22 operadores regularizaron completamente su situación ante el Tesoro, evitando suspensiones severas de licencia.
Reiteró que el Fisco mantiene mecanismos continuos de monitoreo en tiempo real para incorporar operadores clandestinos al mercado legal, principalmente para mitigar riesgos graves de delitos financieros transnacionales como lavado de dinero y financiamiento del terrorismo.
A pesar de elogiar los índices de cumplimiento de los operadores licenciados, Manrique formuló duras críticas estructurales sobre cómo se aplica actualmente el Impuesto sobre la Renta a los premios de los jugadores.
El Ministerio de Hacienda había propuesto originalmente que el impuesto retenido del 15% fuera descontado automáticamente en el momento exacto en que el jugador solicita un retiro.
Sin embargo, el Congreso Nacional modificó este esquema durante el debate legislativo, estableciendo que el impuesto fuera calculado y declarado de forma anual.
El subsecretario argumentó que, dado que la tabla progresiva anual establece un umbral de exención cercano a R$ 30.000 por año, solo un porcentaje extremadamente pequeño de apostadores recreativos alcanza ese nivel imponible en un período de 12 meses.
Según él, este compromiso legislativo reduce drásticamente la recaudación efectiva del Estado, dejando de captar enormes ingresos potenciales provenientes del 97% de los fondos que regresan a las billeteras de los jugadores en forma de premios.
La CNC vincula las apuestas con altos niveles de morosidad
Fábio Bentes, economista jefe de la Confederación Nacional del Comercio (CNC), contrarrestó el optimismo fiscal del Estado presentando los resultados empíricos de un complejo estudio econométrico realizado por la entidad.
El estudio de la CNC monitoreó el endeudamiento de los hogares brasileños y sus hábitos de consumo durante un período de varios años entre enero de 2023 y marzo de 2026, utilizando técnicas de modelado de datos que la confederación perfecciona desde 2010.
Bentes destacó que el rápido crecimiento de las apuestas online es un fenómeno tecnológico internacional impulsado por la penetración de smartphones y no es exclusivo de Brasil.
Para aislar el impacto específico y directo de las apuestas digitales sobre el presupuesto familiar promedio, la CNC utilizó datos anonimizados del Banco Central de Brasil, que indicaban un crecimiento explosivo de aproximadamente 500% en transferencias hacia plataformas de juego durante los últimos tres años.
El modelo econométrico aplicó variables de control rígidas, incluyendo fortaleza del mercado laboral regional, expansión del crédito al consumo e índices básicos de inflación, para evitar atribuir incorrectamente cambios macroeconómicos generales al iGaming.
El análisis final no concluyó que el aumento general del número de brasileños endeudados haya sido provocado exclusivamente por las apuestas online.
Sin embargo, el modelo sí aisló una correlación altamente severa y estadísticamente innegable respecto a la “morosidad severa” (inadimplência severa), definida por Bentes como la situación desesperada en la que un hogar pierde completamente la capacidad financiera de cumplir sus deudas sistémicas.
“Cuando analizamos específicamente los parámetros de morosidad severa, podemos afirmar con seguridad que existe un efecto causal directo”, explicó Bentes a la comisión.
“Según nuestras proyecciones matemáticas, por cada aumento del 10% en el gasto financiero de un hogar en plataformas de apuestas online, existe un incremento correspondiente de 0,12 puntos porcentuales en los índices de morosidad severa.”
El estudio también identificó un impacto operacional significativo sobre los plazos generales de crédito.
Por cada aumento del 10% en transferencias relacionadas con apuestas, el tiempo promedio de retraso en el pago de cuentas domésticas aumenta casi medio día (0,45 días).
La CNC estima que esta reasignación de capital privó al comercio minorista brasileño de R$ 4 mil millones en consumo durante el período analizado, equivalente, según Bentes, a “perder dos temporadas completas de compras navideñas para el comercio minorista”.
Crucialmente, los datos demostraron que estos efectos negativos son mucho más intensos entre hogares de bajos ingresos y públicos jóvenes, que frecuentemente arriesgan recursos esenciales en juegos digitales de alta volatilidad.
A la luz de estos hallazgos, la CNC manifestó una posición institucional favorable a la explotación legal inmediata de opciones tradicionales de juego físico, como casinos presenciales, resorts integrados y salas de bingo, mientras exhortó al gobierno federal a actuar con extrema cautela respecto al entorno digital.
Bentes argumentó que los establecimientos físicos generan empleo local masivo, requieren grandes inversiones inmobiliarias y permiten una fiscalización inmediata y transparente por parte del Estado.
Las plataformas digitales, en contraste, operan con una presencia física mínima y representan objetivos mucho más difíciles para el monitoreo social y financiero.

La industria cuestiona las estimaciones del Banco Central
El sector privado respondió con firmeza a los supuestos presentados por políticos y representantes del comercio.
Witoldo Hendrich, presidente de la Asociación Brasileña de Juegos y Loterías (Abrajogo), participó en el debate parlamentario por videoconferencia debido a problemas de salud, mientras que Ana Bárbara, directora de Relaciones Gubernamentales de la entidad, condujo la defensa técnica directamente desde el plenario.
Hendrich criticó lo que describió como un persistente “problema de comunicación” entre la industria del iGaming, el público general y las autoridades federales, lo que deriva en propuestas legislativas distorsionadas.
El presidente de Abrajogo cuestionó directamente la metodología de los estudios de consumo presentados por la CNC, argumentando que los economistas externos confunden el volumen total de transacciones con gasto real irreversible del consumidor.
“De cada R$ 100 apostados en un sistema regulado, aproximadamente R$ 96 o R$ 97 regresan a los jugadores en forma de premios”, afirmó Hendrich.
“Por lo tanto, el volumen bruto de transacciones es un parámetro completamente equivocado para medir el impacto financiero del sector.”
Añadió que el mercado regulado representa solo cerca del 50% de la actividad total en Brasil, mientras que el resto opera en la ilegalidad a través de plataformas offshore.

Abrajogo detalla la estructura fiscal del sector
Ana Bárbara presentó una explicación detallada de la estructura económica del sector para aclarar las dudas de los legisladores.
Partiendo de un ejemplo base de R$ 100, explicó que el retorno promedio al jugador (RTP) es del 97%, lo que deja un margen bruto de apenas 3% para los operadores.
Sobre ese margen se aplican múltiples impuestos, incluyendo la tasa específica del 15% sobre el GGR y los tributos corporativos estándar como IRPJ, CSLL, PIS y Cofins.
“En términos prácticos, la carga fiscal efectiva del sector regulado es de aproximadamente 32% sobre sus ingresos reales”, explicó.
La ejecutiva señaló que la facturación real del sector regulado en 2025 fue de R$ 36 mil millones, con una recaudación tributaria de R$ 9 mil millones.
Legisladores cuestionan impactos socioeconómicos
A pesar de las explicaciones técnicas, las resistencias políticas continuaron.
El diputado Merlong Solano cuestionó el equilibrio entre recaudación fiscal y los costos sociales asociados al juego problemático, incluyendo salud mental y sobreendeudamiento.
El diputado Luiz Carlos Hauly adoptó una postura más dura, calificando la expansión de las apuestas online como una “tragedia para las familias brasileñas” y proponiendo su prohibición total.
Otros parlamentarios exigieron mayor transparencia de datos por parte del Banco Central y del Ministerio de Hacienda, así como claridad sobre la operativa del sistema de exclusión de jugadores en programas de renegociación de deudas.
Inconsistencias en datos generan pedido formal de información
El punto de mayor tensión se produjo cuando el diputado Paulo Guedes señaló discrepancias entre los datos del Banco Central y las cifras oficiales de recaudación.
Según sus cálculos, si los brasileños mueven cerca de R$ 360 mil millones al año en apuestas, la recaudación debería ser significativamente mayor.
Ante la falta de consenso, la comisión aprobó por unanimidad un pedido formal de información al Ministerio de Hacienda, la SPA-MF y el Banco Central.
Se convocará una nueva audiencia una vez que los datos oficiales sean entregados.

BiS Brasília 2026 confirmado para junio
En paralelo al debate político, el sector continúa con su agenda institucional.
El BiS Brasília 2026 fue confirmado para los días 2 y 3 de junio en el Royal Tulip Brasília Alvorada, reuniendo a operadores, reguladores y proveedores tecnológicos.
El evento abordará temas como AML, regulación, integridad, protección al jugador y relaciones institucionales, con el objetivo de fortalecer el diálogo entre el sector público y privado en Brasil.
ANJL impugna prohibición de publicidad en Río Grande do Sul
La Asociación Nacional de Juegos y Loterías (ANJL) presentó una Acción Directa de Inconstitucionalidad (ADI 7971) ante el Supremo Tribunal Federal contra la Ley 16.508/2026 del estado de Rio Grande do Sul.
La norma prohíbe la publicidad de loterías y apuestas en el estado, además de imponer restricciones a patrocinios y emisiones publicitarias en radio, televisión y plataformas digitales.
La ANJL sostiene que la ley invade competencias exclusivas de la Unión y genera inseguridad jurídica para operadores y medios de comunicación, además de debilitar la capacidad de diferenciar el mercado regulado del ilegal.
El caso está ahora bajo análisis del STF.
Ministerio del Deporte publica manual contra amaño de partidos
El Ministerio del Deporte lanzó un manual oficial de prevención y combate del amaño de partidos, elaborado en conjunto con organismos federales y fuerzas de seguridad.
El documento establece directrices sobre detección de patrones sospechosos, tipologías de fraude y obligaciones de clubes y operadores para garantizar la integridad deportiva.
La iniciativa busca reforzar la transparencia y la protección del ecosistema deportivo en el país.
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BiS Awards
“Para EGT, el crecimiento sostenible en Brasil depende de la transparencia”
EGT y EGT Digital llegaron a Brasil con una trayectoria consolidada en más de 85 jurisdicciones, bajo la firme decisión de no replicar un modelo internacional en un mercado que exige una adaptación local.
Al frente de esa estrategia se encuentra Celina Guedes, quien lidera la expansión de la compañía en los mercados brasileños de juego, casinos y VLT.
Con más de 20 años de experiencia en los segmentos de casinos físicos y online en Brasil y América Latina, Guedes ha estructurado su enfoque en torno a lo que denomina “glocalización”: aplicar estándares tecnológicos globales al comportamiento, la regulación y las expectativas específicas del jugador brasileño.
Los resultados ya son visibles. EGT ganó la categoría de Mejor Solución VLT en los BiS Awards 2026. El despliegue en Paraíba validó el modelo VLT a escala operativa, con una recurrencia y un compromiso (engagement) por parte de los usuarios que superaron las proyecciones iniciales. En Río de Janeiro, la solución superó la Prueba de Concepto con Loterj, abriendo las puertas a uno de los mercados de juego más estratégicos del país.
In esta entrevista, Guedes analiza qué diferenció a EGT en el competitivo mercado brasileño, cómo funciona la integración omnicanal en la práctica y por qué cree que el crecimiento a largo plazo de la industria depende de la regulación, la transparencia y el juego responsable; no a pesar de ellos, sino gracias a ellos.
Celina, ¡felicitaciones por los BiS Awards 2026! EGT y EGT Digital ganaron en la categoría de Mejor Solución VLT. En tu opinión, ¿cuál fue el “factor X” que diferenció a su producto en un mercado tan competitivo como el de Brasil este año?
Celina Guedes – Creo que nuestro principal diferenciador fue la combinación de una tecnología robusta, la experiencia del jugador y la adaptabilidad al mercado brasileño. EGT ya cuenta con una trayectoria global consolidada en más de 85 jurisdicciones, pero en Brasil no nos limitamos a replicar un modelo internacional: localizamos la solución.
El mercado brasileño exige rendimiento, estabilidad, seguridad regulatoria y, al mismo tiempo, un entretenimiento accesible e intuitivo. Logramos entregar exactamente ese equilibrio a través de una solución VLT omnicanal que es altamente escalable y cuenta con una amplia aceptación por parte de los jugadores.
Además, la integración entre EGT y EGT Digital nos permitió ofrecer un ecosistema completo para operadores y loterías estatales, lo cual es esencial en un entorno cada vez más competitivo y regulado.
Mencionaste que EGT busca establecer “nuevos estándares más altos”. ¿Cómo equilibra la compañía la tecnología global proveniente de Bulgaria con las especificidades culturales y regulatorias del jugador brasileño?
Este equilibrio se logra precisamente porque EGT cuenta con experiencia global pero opera localmente con equipos que entienden profundamente cada mercado.
Brasil tiene características muy específicas: el comportamiento del jugador, el perfil de consumo, una legislación en evolución e incluso preferencias visuales y de jugabilidad. Es por eso que trabajamos en estrecha colaboración con los operadores y los organismos reguladores para adaptar las interfaces, los recorridos del usuario, los métodos de pago, la comunicación y las funciones a las expectativas brasileñas.
Al mismo tiempo, mantenemos los estándares internacionales de seguridad, cumplimiento y estabilidad tecnológica, los cuales son reconocidos a nivel mundial. Esta combinación de experiencia global e inteligencia local es uno de los pilares de nuestro crecimiento en el país.
La operación de Paraíba fue un hito en cuanto a despliegue a gran escala. ¿Cuáles fueron los principales aprendizajes de este proyecto y qué dicen los números iniciales de rendimiento sobre la aceptación del formato VLT por parte de los usuarios?
Paraíba fue extremadamente importante porque validó, en la práctica y a escala operativa, el potencial del modelo VLT en Brasil.
El principal aprendizaje fue la fuerte demanda que existe por un producto regulado que sea seguro y ofrezca una experiencia de entretenimiento de alta calidad. El público respondió de manera muy positiva desde los primeros meses de operación.
Los indicadores iniciales superaron nuestras expectativas en términos de recurrencia de usuarios, compromiso (engagement) y estabilidad operativa. Esto demuestra que los jugadores brasileños están abiertos al formato VLT cuando se presenta dentro de un entorno tecnológico regulado, transparente y confiable.

Respecto a Río de Janeiro: el producto superó la Prueba de Concepto (PoC) con Loterj. ¿Qué puede esperar el mercado de Río de este lanzamiento y cómo planea EGT escalar esta solución a otros estados que están configurando sus loterías en 2026?
Río de Janeiro es un mercado estratégico para toda la industria, y la aprobación de la PoC fue un paso muy relevante.
El mercado puede esperar una solución moderna y segura, diseñada para ofrecer una experiencia física y digital integrada. Nuestro objetivo no es solo desplegar terminales, sino construir un ecosistema sostenible para operadores, loterías y jugadores.
Creemos que muchos estados están observando de cerca los modelos que se están implementando ahora. Por lo tanto, nuestro enfoque es demostrar la eficiencia operativa, la capacidad de generación de ingresos y la responsabilidad regulatoria.
EGT está preparada para escalar rápidamente, ya que cuenta con la infraestructura tecnológica, la experiencia internacional y la adaptabilidad regulatoria necesarias para respaldar nuevos proyectos estatales en diferentes etapas de madurez.
La solución de EGT se describe como completamente omnicanal. Para nuestra audiencia, ¿cómo funciona en la práctica esta integración entre las terminales físicas y la plataforma digital? ¿El jugador se mueve entre ambos mundos con una sola cuenta?
Sí. Ese es uno de nuestros principales diferenciadores.
Los jugadores pueden comenzar su experiencia en una terminal física y continuar en el entorno digital utilizando la misma cuenta, billetera (wallet) e historial de interacción. Esto crea un recorrido fluido, moderno y conveniente.
La integración omnicanal permite a los operadores tener una visión unificada del comportamiento del usuario, lo que viabiliza campañas más inteligentes, programas de fidelización y mecanismos avanzados de cumplimiento.
En la práctica, conectamos lo mejor de ambos mundos: la conveniencia de lo digital con la presencia física y el alcance de las terminales VLT.
In un escenario donde el gobierno está bloqueando plataformas sin solvencia económica, ¿cómo protege la seguridad y transparencia del ecosistema de EGT Digital tanto a los operadores como a los usuarios finales?
Este movimiento regulatorio refuerza algo que EGT siempre ha defendido: el crecimiento sostenible depende de la regulación, la transparencia y la responsabilidad.
Toda la infraestructura de EGT Digital opera bajo estrictos estándares internacionales de cumplimiento, certificación y seguridad tecnológica. Trabajamos con sistemas auditables, controles antifraude, trazabilidad operativa, protección de datos y monitoreo continuo.
Esto protege a los operadores desde el punto de vista regulatorio y financiero, pero también brinda a los consumidores la confianza de utilizar una plataforma legítima, segura y supervisada. En un mercado que madura rápidamente, las empresas sólidas con una trayectoria internacional consistente ganan protagonismo de forma natural.
Estamos viendo un intenso debate en Brasilia sobre la ludopatía y el endeudamiento de los hogares. ¿Cómo incorpora la tecnología VLT de EGT mecanismos de Juego Responsable y controles de gasto para prevenir conductas compulsivas?
El Juego Responsable es un tema central para EGT a nivel global y también en Brasil.
Nuestra tecnología incluye herramientas para el control del tiempo de sesión, límites de depósito y de apuestas, alertas de comportamiento de riesgo y mecanismos de autoexclusión. Además, los operadores pueden monitorear patrones de comportamiento sospechosos de manera mucho más efectiva a través de nuestra tecnología.
Creemos que la regulación y la innovación deben ir de la mano. El objetivo de la industria debe ser proporcionar un entretenimiento seguro, sostenible y transparente.
Este es un debate importante y saludable para la madurez del sector, y EGT quiere ser parte de la construcción de un mercado responsable a largo plazo.
Celina, para cerrar: el Grupo EGT ya está presente en 85 jurisdicciones. Con Brasil alcanzando su madurez en 2026, ¿dónde ves a EGT Digital en el ranking nacional durante los próximos dos años?
Brasil se ha convertido en uno de los mercados de juegos y apuestas más estratégicos del mundo, y EGT ve un enorme potencial de crecimiento aquí.
Durante los próximos dos años, nuestro objetivo es consolidar a EGT y EGT Digital entre los proveedores líderes de tecnología y soluciones omnicanal en el país, expandiendo la presencia tanto en el segmento físico como en el digital.
Estamos invirtiendo fuertemente en expansión operativa, alianzas locales, innovación tecnológica y relaciones institucionales. Creemos que solo estamos al comienzo de la transformación de este mercado en Brasil.
Nuestro enfoque no es solo el crecimiento en números, sino construir una operación sólida y sostenible, reconocida por su excelencia tecnológica y la confianza del mercado.
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